domingo, 23 de agosto de 2009

À beira do abismo

"Eu adormeço às margens de uma mulher: adormeço às margens de um abismo."
Eduardo Galeano

Tenho manchado meus lábios com vinho e murmúrios
e tenho te desejado mais que a mim,
mais que meu futuro próximo e pródigo,
ou mais que a cidade: ruas
e avenidas
que te busco e sei que não estás,
sei que a esta hora estás
em tua casa, oculta, dentro de livros
e personagens: trechos de teu corpo que não li
e não lerei - quem sabe - nunca.

No entanto, te desejo
e isso dói mais aos domingos.
Te desejo como nunca
havia desejado,
mas te escrevo e te esqueço
porque em meus lençóis de mármore
tu não estás.


Palavra (de teu
nome que)
como um rio cresce
cortando cidades, passando pela mata,
por casas
por infâncias: como um
rio
teu nome
cresce dentro de mim
e vai batendo e batendo e batendo
e corro contra as ruas, contra os parques,
praças
corro dentro de mim: rodopio em meus planos,
giro e danço em minha arquitetura de vento:
ventanias
que te levam.

7 comentários:

Lara Amaral disse...

Ui... Essa saudade eu senti daqui. Bem lembrados os "lençóis de mármore". Muito bonito, Marcelo.
Beijos.

disse...

Curti seu blog também.
Gosto dessa escrita que flui...

Ana Teixeira disse...

[...] sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor, pois se eu me comovia vendo você, pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo, meu Deus...como você me doía! De vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme...só olhando você, sem dizer nada só olhando e pensando: Meu Deus, mas como você me dói de vez em quando!

Caio Fernando Abreu

P' disse...

Está lindo.

JOANA SOUSA disse...

Está tão bonito, tão profundo *.*

Patrícia disse...

Gosto desse. Muito.

marjoriebier disse...

Confesso: Galeano me fez parar aqui. Vim espiar e fui ficando, ficando... que delícia teu cantinho!